Estávamos bastante ansiosos para o pronunciamento da NASA sobre Mundos Oceânicos além da Terra.

A NASA anunciou no dia de hoje 13/04/2017, resultados de duas pesquisas. São dois anúncios.
Um é sobre estudos relacionados às plumas de uma das luas de saturno chamada Encélado,usando a sonda Cassini.

O outro é sobre plumas em Europa, uma das luas de Júpiter, usando o Telescópio Espacial Hubble.

Esta ilustração mostra o sobrevoo de Cassini, através das plumas de Encélado em 2015. Créditos: NASA / JPL-Caltech

A Sonda Cassini detectou hidrogênio de amostras recolhidas nas colunas de gás pulverizado das plumas em Encélado durante o seu último e mais profundo mergulho em 28 de outubro de 2015. Há também estudos demonstrando a composição química dessas plumas durante outros vôos anteriores.

Usando o Espectrômetro da Cassini(INMS), cientistas nos mostram que 98% da coluna de gás é água. Aproximadamente 1% é hidrogênio, e o restante, uma mistura de outras moléculas como metano e dióxido de carbono.

E aqui, é onde as coisas se tornam extremamente empolgantes e interessantes.

Afinal, da onde vem essas moléculas da coluna de gás ???

Créditos: NASA / JPL-Caltech

Vamos entender isso, usando a ilustração acima.

A água do oceano que circula pelo fundo do mar é aquecida interagindo quimicamente com a rocha. Sim, Encélado possui um núcleo rochoso. Essa água quente, carrega minerais e gases dissolvidos, que são então expelidos por uma diferença de pressão gerado no fundo do oceano, criando uma espécie de respiradouro. Para quem quiser entender mais detalhadamente sobre o assunto, sugiro pesquisar sobre Fonte Hidrotermal e Gradiente Geotérmico.

Já houveram pesquisas anteriores com o Cosmic Dust Analyzes da Cassini, publicadas em março de 2015, mostrando essa interação da água com a rocha no fundo do oceano de Encélado.

Mas, agora temos mais evidências, pesquisas e resultados.

A descoberta do gás hidrogênio, sugere algo ainda mais intrigante. Afinal, podemos concluir a existência de uma fonte de energia química no oceano de Encélado.

A possibilidade da existência de vida. Não é de hoje que cientistas estudando os oceanos da Terra, publicam diversas pesquisas sobre a possibilidade da origem da vida ter ocorrido através de Fontes Hidrotermais.

Além desses estudos, temos também aqui na Terra, formas de vida que se sustentam através dessa energia proveniente das Fontes Hidrotermais.

Mas é claro, não podemos afirmar ainda a existência de vida em Encélado, entretanto, os apresentadores e cientistas até brincaram com a possibilidade da existência de Camarões de Encélado.

A sonda Cassini não foi criada para estudar sinais de vida extraterrestre, portanto não há como se saber de fato o que há, lá no oceano de Encélado. Não podemos confirmar, e nem mesmo temos evidências de existência de vida.

O que temos são evidências de fontes de energia, que é um dos ingredientes para que a vida como a conhecemos aqui na Terra, ocorra.

“Embora não possamos detectar vida, descobrimos que há uma fonte de alimento para ela. Seria como uma loja de doces para os micróbios“, disse Hunter Waite, principal autor do estudo da Cassini.

O outro anúncio foi com relação aos estudos sobre a existência de Plumas em Europa, lua de Júpiter, usando o telescópio espacial Hubble.

Créditos: NASA/ESA/STScI/USGS

Em 2016 Hubble descobriu uma nova pluma elevando-se à 100 km da superfície que encontra-se em um local preciso, bastante semelhante com outra pluma vista em 2014, também pelo Hubble.

A localização das plumas corresponde à posição de um ponto excepcionalmente quente na crosta gelada da lua, conforme medido no final da década de 90 pela nave espacial Galileo da NASA.

https://physics.weber.edu/carroll/europa/galileo_mission_to_europa.htm

Essas observações reforçam a ideia da existência de plumas.

Ao contrário das Plumas em Encélado, não sabemos sobre sua composição, e sobre uma possível relação entre a pluma e o possível oceano presente sob a crosta gelada em Europa.

As plumas oferecem uma oportunidade de provar o que pode existir no oceano, principalmente pela busca de vida.

Para ambas as observações de 2014 e 2016, a equipe usou o Space Telescope Imaging Spectrograph (STIS) para detectar as plumas em luz ultravioleta. A medida que Europa passa em frente de Júpiter, quaisquer elementos atmosféricos em torno da borda da lua bloqueiam parte da luz de Júpiter, permitindo que se observe as características em silhueta.

NASA/ESA/STScI

A pesquisa não acabou, e os cientistas continuam usando o Hubble e seu STIS, monitorando Europa em busca de novas plumas e evidências que possam determinar a frequência com que elas surgem.

Ambas as pesquisas e seus resultados, Encélado e Europa, usando a Cassini e o Hubble, servem de base para a missão Europa Clipper da NASA, com previsão de lançamento para década de 2020, e que terá instrumentos bem mais avançados e poderá estudar melhor a Europa, plumas, oceanos e suas respectivas composições.
“Se houverem plumas na Europa, como as suspeitas indicam, com a Europa Clipper, estaremos prontos para elas”, disse Jim Green, diretor de Ciência Planetária, na sede da NASA.

Felipe Hime Miranda

Graduando em Astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Astrofísico em formação, criador do Café e Ciência e atualmente bolsista CNPq no Museu de Astronomia e Ciências Afins.

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