Se você lê sobre Astronomia provavelmente já deve ter visto o termo Magnitude Estelar em algum lugar. Mas o que é essa escala, e por que ainda a utilizamos?

A escala de magnitude para as estrelas foi criada em uma época que ainda não se usavam telescópios na astronomia, na Grécia antiga. Acredita-se que foi criada por Hiparco, entretanto quem a formalizou foi o astrônomo inglês Norman Robert Pogson.

Esse astrônomo formalizou o sistema que dividia as estrelas em seis magnitudes diferentes, sendo as estrelas mais brilhantes no céu pertencentes à magnitude 1, e as estrelas mais fracas à magnitude 6. De forma que uma estrela de magnitude 1 seja cem vezes mais brilhante que uma estrela de magnitude 6 – claro que ele não deve ter levado em conta o Sol nisso tudo.

Com certeza, nesta época, não foram contabilizados neste sistema nem o tipo espectral da estrela nem sua distância até nós. Somente o brilho que era percebido ao olharmos a estrela do chão para o céu era levado em conta, o que chamamos de Magnitude Aparente da estrela.

Bom, mas o brilho que uma estrela parece ter a olhando daqui não nos ajuda muito em certos assuntos, por esse motivo foi criada uma outra escala, a das Magnitudes Absolutas. Que agora sim leva em conta os outros fatores.

A magnitude absoluta de uma estrela expressa o brilho que perceberíamos da mesma se estivesse a 10 parsecs de nós. Desta forma não há como confundir. No sistema das magnitudes aparentes poderíamos fazer confusão, porque se uma estrela parece ser mais brilhante em comparação com alguma outra olhando daqui, isso não quer dizer necessariamente que esta realmente brilha mais que outra, pode estar somente mais próxima.

Funcionamento da Escala de Magnitude

Sendo uma estrela de magnitude 1 cem vezes mais brilhante que uma estrela de magnitude 6, temos uma escala em que quanto menor a magnitude maior o brilho da estrela, e que uma diferença de 5 magnitudes os brilho aumentam (ou diminuem) em 100 vezes.

Por exemplo, uma estrela de magnitude -4 é cem vezes mais brilhante que uma estrela de magnitude 1, e dez mil vezes mais brilhante que uma estrela de magnitude 6.

Sim, -4. Com a criação da escala de magnitudes absolutas foi preciso estender a mesma para os números negativos, assim como para números maiores que 6, adicionando também números fracionários. Agora uma estrela poderia ter uma magnitude classificada como, por exemplo, 2.35.

Funcionando dessa forma, a escala de magnitudes estelares é uma escala logarítmica, equacionada da seguinte forma:

A equação acima mostra como é obtida a magnitude aparente de uma estrela. Como pode-se perceber, é uma medida semidireta – o que a torna uma medida razoavelmente boa para uso, pois embora envolva mais erros que uma medida direta, envolve menos erros que uma medida indireta – pois Fx é uma medida direta do fluxo luminoso da estrela numa banda x, enquanto Fx,0 é o fluxo de referência na banda x do filtro utilizado.

A partir disso a magnitude absoluta pode ser obtida adicionando o fator “distância” na equação da seguinte forma:

,onde “d” é a distância até a estrela em parsecs.

Outro porquê da utilização dessa escala ainda nos dias de hoje é mais simples do que parece, costume! Sim, pois além de ser uma medida boa para classificação de brilho, os astrônomos estão acostumados com essa escala, pois já é utilizada a mais de um século. Afinal, também, depois de alguns cálculos com ela, passa a ser tão intuitiva quanto uma escala não logarítmica.

Referências:

http://astronomy.swin.edu.au/cosmos/A/Absolute+magnitude

https://www.phys.ksu.edu/personal/wysin/astro/magnitudes.html

https://www.astronomynotes.com/starprop/s4.htm

Marco Laversveiler

Graduando de Astronomia pelo Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), interessado principalmente nas áreas de Astrofísica Relativística, Estelar e de Altas Energias.

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